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segunda-feira, 19 de maio de 2008

Quem trabalha sempre alcança!

Pois é, hoje estou tão bem-disposto que até vos vou contar uma fábula, a segunda na história do blog, mas ligeiramente adaptada, e que acaba por ser uma metáfora para esta semana que passou, na minha vida!

Era uma vez uma cigarra, chamada Margaret, e uma formiga, chamada Janet! Estava então a decorrer um dos Verões mais agradáveis de toda a história, e a Margaret, que adorava cantar, sentia-a inspirada a ver as espigas de trigo, tão brilhantes, que lhe pareciam sorrir. Então, sentada numa rocha, punha-se a entoar músicas portuguesas (sim, eram as preferidas dela), como "Porto Sentido", "Balada da Estrada do Sol", e tão embalada com tanta música, limitava-se a acordar de manhã e a deitar-se ao pôr do sol, passando os dias a cantar alegremente!
Ora a formiga Janet, não fazia nada disso, apesar de também ser quase tão boa cantora como a Margaret. Passava os dias a trabalhar, recolhendo as bagas das seares de trigo, e escondendo-as no seu esconderijo subterrâneo.
E os dias do Verão assim se passaram. E, passados seis meses, chegaram os dias do Inverno. A cigarra Margaret teve frio. E fome. E não tinha onde se abrigar, ou nada que comer, porque no Inverno as colheitas são sempre nulas. E então lembrou-se da reserva e do trabalho da formiga Janet, e sentiu-se arrependida. Foi bater-lhe à porta.
- Janet... desculpa-me... não trabalhei este tempo todo mas agora tenho fome e tenho frio... podes dar-me alguma coisinha? Deixas-me entrar?
A formiga, ao perceber que Margaret se arrepndera, propõe:
- Muito bem! Eu dou-te de comer e abrigo durante o Inverno... mas fazemos assim, para o ano és tu que trabalhas e sou eu que canto!
- Hm... - a cigarra não parecia concordar - E se trabalharmos enquanto cantamos?
E assim foi. Não é quem espera que sempre alcança, é quem trabalha para isso!


É bonita, não é? Pois é. Só que não é assim tão melódico saber que a minha professora de história marcou um trabalho de grupo powerpoint acerca da 2ª Guerra Mundial de Segunda Feira para esta Segunda Feira, e que passei o fim-de-semana a trabalhar exastivamente, sendo interessante de sublinhar que ontem só me deitei por volta da uma hora da manhã... sim, estive a trabalhar... mas sim, valeu a pena! Hoje apresentámo-lo e tivemos excelente! Quem trabalha, sempre alcança! Mas sempre mesmo!

Tiago'

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Flautista de Pã

Muito boa tarde a todos! Hoje venho falar-vos acerca do "tal" concurso que consistia em escrever um romance de 50.000 palavras durante o mês de Novembro. Tudo muito bem até aí, ânimo não me faltava. Mas quando cheguei mais ou menos a dia 7 calculei que seria impossível com o meu horário escolar e extra-escolar escrever 50.000 palavras até acabar o mês!

Mas não desisti. Já tinha escrito 10 páginas durante esses 7 dias, e hoje vai em 28 páginas. Partilho com vocês o Prólogo, confiando fervorosamente no provérbio:
  • Grão a Grão enche a Galinha o Papo.

Prólogo

O pôr-do-sol fez subir naquele fim de tarde ligeiramente a temperatura. Os pinheiros, cobertos de neve, aconchegaram-se naqueles últimos raios de sol do dia. As folhas, persistentes, apesar de aguentarem o calor e o frio das estações, também sofriam quando o Inverno apertava. Para já, a estação fria era apenas uma miragem. Estava longe de atingir o seu auge, e talvez por isso ainda se vissem alguns pássaros a cantar, o que não seria uma visão muito normal de se ver daí a uns dias. Um cenário muito bonito, frio, e apesar disso, quente. E aconchegante.
Click!
O som de um botão a ser premido preencheu por uma fracção de segundo a divisão em que Kevin se encontrava. Este, premindo de novo o mesmo botão, observou a fotografia que tinha tirado. Mostrava uma conjugação do céu e da terra, das nuvens iluminadas pelo sol laranja e pelos pinheiros verdes e brancos, frios. Uma mistura de contrastes, que não tivera sido o objectivo do rapaz. Um fruto do acaso, uma benesse involuntária para satisfação posterior.
Correu pelo quarto, em direcção à porta de madeira. Abriu-a com uma só mão, segurando a máquina fotográfica do seu pai na outra. Atravessando o corredor a correr, num ápice chegou à sala, onde a mãe estava a ler um livro. Atirou-se para cima o sofá, ou mais precisamente para cima dela, e mostrou-lhe a fotografia.
- Está muito bonita! – disse-lhe a mãe, sorrindo. – Onde aprendeste a tirar fotografias tão lindas?
Kevin riu-se e aconchegou-se no colo da sua progenitora. Descobrira ali, naquele momento, mais uma fonte de calor. Agarrou-se com mais força, sentindo o peito da mãe a pulsar, a uma velocidade constante.
- O que é que está a bater aí no teu peito? – perguntou, inocentemente.
A mãe afastou-o dela uns centímetros, e olhou-o nos olhos que pareciam rir.
- O que será? – questionou, olhando em seguida para o tecto da sala – O que será que está a bater no peito? O que é que bate aqui?! – e bateu no peito, rindo-se às gargalhadas.
Kevin gritou, sorridente: “O CORAÇÃO!”. E ambos se riram e abraçaram. Depois a mãe tirou o filho do colo e continuou a ler o livro, ligeiramente mais bem-disposta. Kevin, após uns segundos de reflexão acerca do que se havia passado, levantou-se e foi, desta feita, a correr para o escritório. Abriu a porta de rompãte e o pai olhou zangado para ele. Estava a desenhar uns mapas, e havia-se desconcentrado com a entrada brusca do filho.
- Kevin! Já não te disse para bateres à porta antes de entrares? – disse, com uma cara afectada. – O Pai estava a trabalhar…
O rapaz deu dois pequenos passos para trás, para fazer denotar uma expressão culpada e sentida. E, após uns segundos, o pai não conseguiu resistir ao feitiço lançado pelo pequeno, e abriu os braços e correu para ele, abrando-lhe ao de leve. Kevin sorriu e mostrou a máquina ao pai. Este olhou para ela e abriu a boca, espantado.
- Que bonita imagem… - disse, olhando para o filho – Tiraste sozinho?
Kevin respondeu que sim, e sentiu-se involuntariamente importante e vaidoso. Tinha conseguido tirar uma fotografia sozinho, sem precisar de ajuda!
- E pediste ao pai autorização para mexer na máquina?
O sorriso que antes atravessava de uma ponta à outra da cara desapareceu, para dar lugar a uma cara ligeiramente mais confusa. Não percebeu exactamente o significado de “autorização”, mas acabou por lá chegar.
- Não, mas eu vi a máquina focto… fotográftica na mesa e eu sabia ligar e por isso liguei e fui para o meu quarto tirar uma foctogra… fotografia! – disse Kevin, esforçando-se para unir todas as palavras do seu ainda pequeno vocabulário. Mas ele não dera conta desse esforço, pois fora tudo involuntário.
- Muito bem! – elogiou o pai, sorrindo-lhe – A fotografia está muito bonita! Mas já te disse que não podes mexer nas coisas do pai e da mãe sem antes pedires, não é?
- Sim… - disse Kevin, prolongando a única sílaba da palavra. E saiu a correr disparado pelo corredor, animado, e gritando: “Já sou crescido! Já sou crescido!...”
Ainda ouviu uma gargalhada do pai, breve, antes de este voltar a encostar a porta do escritório. Quando chegou ao seu quarto, o rapaz atirou-se para cima da cama e começou a rebolar e a saltar nesta. Vivera mais uma experiência. Muitas se avizinhariam.

***

Um flash iluminou-me a cara, tal qual uma estalada inesperada. Aparentemente sem qualquer razão aparente, lembrei-me Daquilo. E, levantando-me da minha escrivaninha, percorri a casa até à entrada do sótão, baú de recordações.


Espero que tenham gostado! Obrigado.

Tiago'