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domingo, 11 de novembro de 2007

Quentes e boas!


O odor a castanhas assadas percorria as ruas de Lisboa, recordando tanto ao povo como aos turistas e trabalhadores que por ali passavam que o Outono estava já bem presente à sua volta. A fumaraça vinda dos fogareiros estava mais concentrada aqui e ali, e as pessoas circundavam à volta dela, como que se fossem atraídas pelo calor e pela alegria, abstracta, ali presente. As castanhas reluziam, estaladiças, dentro de papéis de jornal enrolados em forma de chapéu de bico, e de minuto a minuto alguém ia comprar um. As castanhas, além de vistosas, eram saborosas e apetitosas, emanando um sabor suave e quente, ao mesmo tempo. Aqueciam a alma e o corpo, e às pessoas desesperadas renovava a esperança. Apertavam-se nos seus casacos, comiam castanhas e andavam pela Baixa Lisboeta, aproveitando cada momento da sua passagem. Era mágico.

Talvez sejam estas as recordações mais palpáveis que tenho de quando tinha cerca de sete ou oito anos e de quando ia de barco da margem Sul para Lisboa, passear pelas ruas... essa situação é cada vez mais rara hoje em dia, e se calhar só passeio a pé pela rua do ouro, da prata, pelo Chiado, cerca de duas vezes por semana.

Achei por bem colocar aqui esta pequeníssima reflexão, sendo hoje dia de S. Martinho. Vamos festejar o magusto!