Porque já cá faltavam.
Quem somos?
De onde vimos?
Para onde vamos?
Tiago.
Ela brincava todos os dias por entre os fetos.Escondia-se atrás das papoilas.
Rastejava pela erva húmida e fresca da manhã.
Bebia do rio e das gotas do orvalho.
Subia à copa das árvores e via o seu mundo.
Mas um dia deixou de ser apenas seu.
E a menina não teve onde se esconder.
Fala-se na destruição dos habitats dos animais. Mas quando se fala nisso esquece-se de outro habitat ainda mais importante (ou não?): o do Homem.
Tiago.

Já passou um ano. O tempo passa rápido. Demasiado rápido. É como a areia fina da praia, que nos escorre por entre os dedos se abrirmos uma frecha entre estes. Um ano de metáforas. Um ano de analogias. Um ano de imaginação. Um ano de conscientalização realista. Um ano de caminhos. Um ano de desabafos. Um ano de Reflexões.
Gostei muito. Foram, a contar com esta, 86 reflexões iniciadas por mim. Sem contar com todas as vossas, que produziram e imortalizaram, ou não, como comentário. Quero agradecer a toda a gente que por aqui passou, de uma forma especial a quem aqui passa sistemáticamente e a quem coloca um comentário com a sua opinião.
No inicio do blog, eu tinha dito qual era o meu objectivo com este: reflectir e fazer com que os outros também reflectissem. Criar debates de ideias acerca de coisas. Reflexões Exteriores: reflectirmos e expôr-mos para fora da nossa mente o resultado dessa reflexão. Resultou, recebi tantas a tantas reflexões vossas. Apesar de tudo, também houve pessoas que por cá passaram, e não deixaram rasto. Mas leram. E isso também me deixa feliz. No total de visitas desde o primeiro dia, foram contabilizadas aproximadamente 11200.
Hoje convido-vos a visitarem o passado do blog. Se não tiverem tempo hoje, façam-no amanhã, quem sabe, depois. Durante a próxima semana eu vou deixar o arquivo no topo da barra lateral. Se calhar há reflexões que não leram, outras que gostariam de recordar. Como, por exemplo, a inaugural. E com ela que vos deixo. Muito obrigado a todos e... parabéns, Reflexões Exteriores!
Porque vale a pena reflectirmos sobre a nossa vida, sobre a vida dos outros e sobre tudo o que nos rodeia. Porque vale a pena pararmos para pensar na questão "E se...". Porque vale a pena tentarmos adivinhar coisas, supor coisas. Porque vale a pena aproveitarmos o que nos é dado.
Por isso, devemos reflectir. Devemos reflectir sobre tudo. Das coisas mais desprezíveis (uma minhoca) às coisas mais poderosas (A Natureza) tudo faz parte do nosso mundo. E se pensássemos nisso. E se pensássemos que afinal não estamos sozinhos, porque os outros também existem. Não somos apenas nós.
Porque vale a pena pensarmos, seja no que for. Por isso, criei este blog.
Façamos as nossas reflexões. E exponhamo-las ao mundo exterior.
Tiago.
E, talvez, daqui a 6 ou 7 meses, tenha mais algum espectáculo para vos mostrar (sim, porque tenho a certeza que alguns de vocês vão lá estar) :)
Tiago.
PS: É já daqui a 4 dias o aniversário aqui do blog. Convido-vos desde já a cá passarem durante a segunda-feira, dia 6 de Outubro, pelo Reflexões Exteriores. Vai ser preparada uma pequena festa!
PS2: Recuperadíssimo da "queda" que referi no último post. O que escrevi foi notoriamente exagerado, e foi escrito com a emoção do momento. Já passou tudo. Obrigado a quem se preocupou =)

O Outono é a minha estação preferida do ano, logo a ser ao Inverno. Gosto de ver as folhas cair, o frio apertar, os cobertores numa cama onde dorme uma criança aconchegada. É mágico. Só mesmo por ser Outono.
O cheiro a castanhas assadas, o movimento das ruas de Lisboa num dia ventoso e chuvoso. Andar a pé sob a trovoada. Os tons de castanho pinta-me a mente, e sinto-me feliz. O folhear das páginas. o vento...
Hoje, só por ser Outono, quero voar.
Tiago.
Estava eu ontem a escrever mais parte de uma história quando escrevo isto:
Por isso excitava-a, aquela ansiedade silenciosa. Estar a olhar para o ponteiro que se movia inquietamente, sem produzir qualquer som. Estar sentada naquela mesma cadeira, mas não a sentir, e não o querer conseguir fazer.
Hoje lembrei-me de que este parágrafo pode-me dizer muito. A minha personagem excita-se com aquela ansiedade inexistente. Estar á espera de nada, a não ser simplesmente que o tempo passe. Existem pessoas assim, na nossa realidade, apáticas à vida? Sim, existem. Talvez existam pessoas que pensam que a vida pode ser vivida de uma forma contínua, uma linha recta. Sentados á beira da estrada a ver tudo a passar. E no fim, morrer.
Sim, a minha personagem é assim. Mas, pessoalmente, quem me dera que fossem só personagens inventadas por nós que o fossem! todos ficaríamos a ganhar se entendêssemos que, no fim, a essência da vida existe, e que existe um bom motivo para cá estarmos. O problema que agora se nos deparara é: qual é a nossa finalidade?
Pode ser muito difícil de responder, mas para mim uma coisa é certa: não estamos aqui para sermos passivos. Existe uma frase que ilustra muito bem isto que estou a tentar dizer, e com ela encerro, por agora, este tema de reflexão. Esperam que percebam o seu significado.
O homem sonha, e o mundo avança.
Tiago.
Dar a mão é amparar o outro, para que não caia.
Tiago.
O xadrez é um jogo que se joga numa área de 8 quadrados por oito quadrados, e onde entram 16 peças para cada lado, ou seja, no total, 32. Diz-se que é um género de jogo de batalha, a imitar uma guerra em que, segundo umas determinadas leis vitais para as peças (que se encaixam perfeitamente na sua realidade), se tenta destruir o rei adversário. Ora o xadrez tem muito mais do que se lhe diga do que simplesmente as regras em si. Por exemplo, o facto de ter regras.
Quantas vezes eu já ouvi dizer "Gostava de poder voar"? E "gostava de ser jovem para sempre"? Mas não podemos. São as nossas leis. As do xadrez são mais restritas ainda: além das peças não poderem voar, e de não terem a liberdade de viverem para sempre (porque nem sequer têm a liberdade de nascer], são obrigados a andar num determinado sentido um determinado número de quadrados (excluindo a rainha que representa, talvez, no meio de toda esta metáfora, o louco sonhador que diz que voa e que nunca envelhece).
Dizemos que somos livres, mas não somos. E há quem diga que não somos livres, oh, mas somos, e bem!
Para quem diz que somos livres, pensem na opressão que a sociedade e a natureza nos impôem! As leis que nos são impostas, e o bom senso de não andarmos nus pela rua, mesmo de Verão. E o medo? O medo que sentimos por alguma coisa, não importa o quê? Não nos condiciona? Não nos aprisiona?
Para quem diz que não somos livres, que se coloquem ao pé de um peão do jogo de xadrez, que só pode andar uma casa em frente cada vez que se mexe e só pode andar na diagonal se houver uma peça para comer (ou matar) nessa direcção. Se calhar não é preciso irmos tão longe: coloco-se lado a lado com um escravo (sim, ainda existem, nós próprios somos escravos!), ou com um cidadadão de um país onde não exista democracia (e sim tirania). E se quem está a ler isto pertença a alguns destes casos, que se conforme pensando nas peças de xadrez.
O Ser Humano não é livre nem deixa de o ser. Vive perante as suas leis. As suas regras do jogo. A pergunta que se coloca é: "quem encontrar livre-arbítrio algures na nossa vida, ponha o dedo no ar.".
Tiago.
Disse isto Fernando Pessoa. E não é que estava certo? De sonhar ninguém se cansa, pelo menos ninguém que eu conheça. Sonhar é esquecer, diz-nos ele. Será? Se formos a ver, sim, é verdade. Sonhar é criar, à primeira vista, mas é criar o sonho. Se criamos o sonho, ignoramos o real. Esquecemos a nossa condição real. Sonhar é esquecer, e esquecer não pesa. Esquecer não pesa pela mesma razão lógica de termos um saco de batatas na mão, tirarmos as batatas, e constatarmos que o saco está mais leve. Tirar para fora as preocupções, eliminá-las, dá-nos mais flexibilidade (apesar de, na minha opinião, nos desproteger - a memória é uma auto-defesa forte, tal qual as vacinas). Por último, Fernando Pessoa diz que sonhar "é um sono sem sonhos em que estamos despertos". Penso que é ensta última parte que se encontra grande parte da essência do pensamento, e por isso vou explorá-la com um pouco mais de pormenor.
Se considerarmos que pessoa se referia ao "sonhar", vemos que existem contradições misteriosas no resto da frase: sonhar é um sono sem sonhos. Podemos pensar que quando sonhamos estamos como que adormecidos. Mas quando dormimos a sério temos sonhos, muitas vezes imprevistos. Eles surgem, simplesmente, sem a nossa vontade. Mas o Sonhar a que Pessoa se refere é aos nossos desejos, naqueles em que nós intervimos conscientemente. Por isso sim, sonhar é um sono (visto que estamos "adormecidos" para a realidade") sem sonhos (dos que nos aparecem sem nós querermos). Sonhar é uma tarefa consciente que nos adormece. E então surge o último extracto da frase: "em que estamos despertos". No fundo, é a confirmação do que já formulei. Um sono não levado à letra.
Tiago.