Hoje fui com a minha turma à Hemeroteca, uma biblioteca em Lisboa junto ao Chiado que disponibiliza para leitura e fotocópias jornais e revistas antigos, que datam desde 1931 à actualidade, apesar de também conter algumas coisas anteriores a esse ano.
Foi interessante constatar os formatos mais antigos dos jornais, a forma comoe stão escritos em como a capa é formulada de forma a cativar a atenção do leitor.
Aproveitei, é claro, como amante da história de Portugal, para recolher algumas cópias para arquivo! Por exemplo, do dia 18 de Março de 1995, dia importante para Portugal... o dia a seguir à morte de Miguel torga, o meu autor favorito no que toca à Poesia; quatro páginas acerca da sua vida e das reacções de personalidades da época, como Mário Soares e Sophia de Mello Breyner (que viria a morrer 9 anos depois, se não me engano) à sua morte... um documento bastante interessante!
Também não resisti à recolha da capa do dia em que nasci, e da minha família mais chegada!
Quando pedi o arquivo de Março de 1961,
para satisfazer o pedido de um dos meus familiares,
os senhores trouxeram- me um livro A2,
com uma grossura descomunal, e que devia pesar uns 7Kg...
os jornais eram em formato
A2 e só a capa devia conter logo 50% da informação do jornal...
practicamente sem imagens!
E já não tive tempo para perguntar pelo jornal de 25 ou 26 de Abril de 1974... ou, ainda meioa sonhar, do dia do regícidio!! Aminha turma já estava à espera no autocarro! Fica para uma próxima... afinal, sinto-me sempre em casa quando em contacto com antiguidades, por mais recentes que sejam!
Tiago'
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
A Balada da Morgue
Hoje venho apresentar-vos um grande amigo meu. De seu nome real Adolfo Correia da Rocha, nasceu faz este ano 100 conjuntos de 365 dias. É conhecido por todo o Portugal como Miguel Torga. É verdade que já morreu há uns bons anos, e que por acaso ganhou o primeiro Prémio Camões da história (falar-vos-ei mais sobre isto noutro post), mas continua a ser um meu grande auxiliar na minha arte de escrever.
Há uns tempos comprei um livro dele, "Poesia Completa, Volume I", e desde então não me tenho separado dele. Leio-o, releio-o, e volto a reler. Hoje, voltei ao segundo poema deste livro, e li-o com a extrema atenção. Chamava-se "A Balada da Morgue", e de imediato me lembrei que aquilo me fazia reflectir. Fazia-me reflectir sobre a importância da vida, e que a devemos aproveitar. Vou citar o poema completo, que vale por um post. Pensem nele e... reflictam!
Balada da Morgue
ao João Gaspar Simões
Olho este corpo aqui deitado
E sinto impulsos de beijá-lo e ter
Toda a força de beijá-lo
Com sugestões de prazer...
Que bruta sinceridade!
Que humildade!
Que vaidade!
Que humildade!
Que vaidade!
Que mentira! Que verdade!
Todo nu! Eu pressenti-o
Dando desejo e fastio...
Não é de mulher, não é;
Nem d'homem; nem d'animal
Irracional:
É d'Anjo predestinado
Que foi sacrificado
Para dar a noção exacta da renúncia!...
Ai! Dos corpos metidos em sarcófagos!...
Ai! De quem morre vestido!...
Nesta luxúria da Morgue
Há todo o satanismo
Que nos foi prometido
No Final...
No Final...
São os gestos parados;
Os olhos vidrados;
Os ouvidos tapados;
Os sexos castrados
E, por cima de tudo, o silêncio das boas!
Quero
Amar este sol da terra
Que mostra o calor do céu...
Anda aqui toda a loucura
Da razão que não morreu
Nos Sonhos dessa lonjura
Que nos fez, que nos perdeu...
Miguel Torga
Tiago
PS: Para quem gosta de poesia e de ler pequenos contos, visite o meu novo cantinho em que mostro os meus trabalhos no meu mundo... abram OS MEUS PERGAMINHOS! (http://www.osmeuspergaminhos.blogspot.com/)
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